DESENVOLVIMENTO HUMANO E NEUROCIÊNCIA: UMA ANÁLISE TRANSDISCIPLINAR DAS BASES BIOLÓGICAS, PSICOLÓGICAS E AMBIENTAIS AO LONGO DO CICLO VITAL
RESUMO O presente artigo analisa o desenvolvimento humano sob a ótica da neurociência contemporânea, abordando desde a gênese do sistema nervoso até os processos de envelhecimento. Através de uma revisão bibliográfica, discute-se o papel da epigênese na formação do fenótipo neural, a dinâmica da neuroplasticidade nos processos de aprendizagem e as transformações estruturais características da adolescência e da senescência. O estudo destaca a convergência entre as teorias clássicas da aprendizagem e as descobertas neurocientíficas, além de mapear o cenário de pesquisa e formação acadêmica no Brasil para o ano de 2026. Conclui-se que o desenvolvimento é um processo contínuo de interação dialética entre o substrato biológico e o ambiente, sendo fundamental a integração desses saberes para a formulação de políticas educacionais e de saúde eficazes.
Palavras-chave: Neurociência. Desenvolvimento Humano. Neuroplasticidade. Epigênese. Neuroeducação.
1 INTRODUÇÃO
A compreensão do cérebro como o centro dos processos mentais e da existência humana consolidou-se historicamente a partir da cultura grega, superando interpretações cardiocêntricas anteriores.
No contexto contemporâneo, a neuroeducação surge como uma abordagem inovadora que integra neurociência, psicologia e pedagogia, reconhecendo que o aprendizado é influenciado por dimensões sociais e emocionais.
2 FUNDAMENTOS BIOLÓGICOS E EPIGÊNESE
O desenvolvimento neural é um processo orquestrado que se inicia na fase pré-natal, onde o feto já responde a estímulos externos e maternos, embora sem uma consciência plenamente formada.
2.1 O Papel da Epigênese
Embora o DNA contenha as instruções para a síntese de proteínas e formação dos tecidos
Estudos demonstram que a qualidade do cuidado na infância pode alterar marcas epigenéticas em genes receptores de estresse. Em contrapartida, a negligência severa e a privação social em orfanatos resultam em volumes cerebrais menores e baixo desenvolvimento cognitivo.
3 NEUROPLASTICIDADE E APRENDIZAGEM
A neuroplasticidade é a capacidade intrínseca do sistema nervoso de adaptar-se a novos estímulos.
Existem "janelas de oportunidade" ou períodos críticos em que o cérebro está mais sensível a aprendizados específicos, como linguagem e motricidade.
4 O CÉREBRO NAS FASES DE TRANSIÇÃO
4.1 Adolescência e Reorganização Neural
A adolescência é marcada pela poda sináptica, processo que elimina conexões subutilizadas para aumentar a eficiência cerebral.
4.2 Envelhecimento e Reserva Cognitiva
O envelhecimento cerebral envolve redução de volume e massa, além de neuroinflamação crônica de baixo grau.
5 TEORIAS DA APRENDIZAGEM E NEUROCIÊNCIA
A neurociência cognitiva moderna valida diversos conceitos de teóricos clássicos:
-
Piaget: A inteligência como construção biológica e a adaptação ao meio ressoam com os estudos sobre substratos neurais de funções mentais.
-
Vygotsky: A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é interpretada atualmente sob a ótica do sincronismo cerebral entre indivíduos.
A mediação social transforma processos interpessoais em intrapessoais, consolidando funções mentais superiores. -
Ausubel e Wallon: A aprendizagem significativa depende de conhecimentos prévios (redes neurais estabelecidas), enquanto a afetividade é reconhecida como condição essencial para o desenvolvimento cognitivo.
6 O PANORAMA DA NEUROCIÊNCIA NO BRASIL EM 2026
O Brasil apresenta uma rede consolidada de pesquisa, com destaque para a Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE).
Para 2026, o calendário acadêmico prevê diversas formações e eventos:
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Cursos: Mestrados no Mackenzie
e UFPA ; especializações no Einstein e UFRJ. -
Eventos: Congresso de Neurociências do Piauí (março), CINDI 2026 e ABENEPI em Natal (agosto), e o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia no Rio de Janeiro (outubro), sob o tema "Neurologia do Futuro".
7 CONCLUSÃO
O desenvolvimento humano é um fenômeno transdisciplinar onde a biologia fornece o potencial e o ambiente provê a forma. A neuroplasticidade garante que a aprendizagem seja possível em todas as fases da vida, desde que haja estímulos adequados e proteção contra fatores de estresse tóxico. A integração de evidências científicas na educação e na saúde é o caminho para otimizar o potencial humano e garantir um envelhecimento digno e cognitivamente saudável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ACADEMIA DE MEDICINA DO RIO GRANDE DO SUL. Jaderson Costa da Costa. Porto Alegre: AMRS, 2026. Disponível em:
COSTA, J. C. da. Brainstorming at InsCer: Neurofilosofia & Ética da IA. Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul - PUCRS, Porto Alegre, 2026.
ENCICLOPÉDIA SOBRE O DESENVOLVIMENTO NA PRIMEIRA INFÂNCIA. Desenvolvimento cerebral inicial e sua importância para o desenvolvimento humano. Montreal: CEECD, 2010.
HERCULANO-HOUZEL, S. O cérebro em transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
HUTTENLOCHER, P. Neural Plasticity: The Effects of Environment on the Development of the Cerebral Cortex. Cambridge: Harvard University Press, 2002.
REDE NACIONAL DE CIÊNCIA PARA EDUCAÇÃO (REDE CpE). Quem Somos e Pesquisas em Evidências. Rio de Janeiro, 2024. Disponível em:
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA. Neurociência do envelhecimento: alterações estruturais, funcionais e neuroplasticidade na velhice. Uberlândia: UFU, 2024.
VILLAROUCO, V. et al. Neurociência aplicada à arquitetura: a influência do ambiente construído no comportamento dos usuários. Blucher Design Proceedings, v. 9, 2021.
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